Na feira de Caxias eu posso comprar caranguejos do mangue (do lixão do gramacho) para ajudar à comunidade local, boicotando o mercado das empresas alimentícias. Tento também comprar legumes, verduras e frutas, mas acabo ajudando ao “o quinto maior consumidor de agrotoxicos do mundo”, o Brasil. Noutra fonte ele é “a sexta posição no ranking mundial de importação de agrotóxicos” e entre 2000 e 2007 aumentou 236% o consumo. A minha pobre ingenuidade política de boicote para ajudar a economia local não me exclui também do consumo de centanas de substâncias tóxicas, muito menos me exclui do meio ambiente que é progressivamente poluído, pois ao logo do tempo os resíduos de compostos químicos nocivos acumulam-se na água (rios, lençol freático, chuva), no solo e no ar. Chuva?! Um estudo de europeu de 2000 mostrou que dentre 99 pesticidas monitorados, 48 estavam presentes na água da chuva! Depois de constatar tudo isso preferi rever meus valores de consumo, não me orgulho mais de comer só soja, a maior consumidora de defensivos do país. Não creio que seja falta de consciência da população, nem dos agrônomos, mas sim da ordem de lucro, das produções de grande escala e mercado, din din, bufumfa. Talvez com mais produtores em áreas pequenas fosse possível produzir mais produtos orgânicos. Pena que quando desmatam alguma floresta para plantio de soja apenas sejam oferecidas àreas para os grandes produtores.
Será muito difícil pensar em gestão participativa do planeta com sustentabilidade ecológica?

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