Há poucos dias assisti no telecine o filme Filme Detenção (The Experiment), que trata de uma experiência científica psicológica numa prisão abandonada onde os voluntários são divididos em dois grupos, os prisioneiros e os guardas. O desenvolvimento dos conflitos se dão pela expectativa de não quebrar as regras, o que poria fim ao experimento e ao pagamento. O amigo de cela, ex-prisioneiro nazista sugere “não faça nada”, “finja que não viu”, “somos todos animais”. No conflito final, onde ocorre a rebelião já estamos conectados empaticamente ao protagonista e esperamos que ele mate todos os guardas. A porradaria começa e experimento acaba deixando todos com cara de bunda. Indo embora no ônibus nazista pergunta ao protagonista hippie “ainda acha que estamos no topo da evolução?”, e ele responde “não, mas acho que podemos fazer alguma coisa”. Aí ele denuncia e processa o governo e vai pra Índia com a namorada, fim. Eu me atento ao confinamento, o propulsor da animalidade, que nesse caso é justificada apenas pelo extremo da violência. Não poderia tentar traçar o que é um traço animal no homem ou se ele está no topo da cadeia evolutiva apenas pelo fator violento, confesso que esse pensamento é um tanto imaturo em vista da rica literatura antropológica que temos sobre o tema. Vou tentar assim eliminar os juízos psicológicos e ficar apenas com o confinamento e a possibilidade de se fazer algo sobre o que nos torna confinados. Afinal, até que nível é possível dizer estar confinado ou não? O que interessa é tentar saber como se caracteriza um confinamento, o que esse ele provoca, e se ele me interessa. Um outro problema é a caracterização de grupo, que de forma determinista só existe através da psicologia e não é meu interesse usá-la. Assim partirei do mote no qual "o confinamento cria uma forma de existir dentro dos limites das regras".
Numa corporação onde as regras de comportamento estão totalmente relacionadas ao pagamento há uma espécie de confinamento. Por exemplo, num ambiente de trabalho onde não se pode tocar em determinados assuntos ou a forma de como se tratar um assunto são regras bem definidas e conhecida por todos, logo apenas os que seguem às regras continuam no confinamento e sendo remunerados. Assim dificilmente veremos alguém dessa corporação falando coisas fora das regras. Então um nazista diria “somos todos iguais, animais, siga a regra em silêncio, finja que não vê”, na generalização de que há uma natureza onde regra habita cada indíviduo e mantendo-se nas relações em grupo e expandindo-se às mais diversas formas de convivência. Assim, pensa o nazista que mesmo fora da corporação essa regra se mantêm, pois é da natureza animal de impossível rompimento e trasngressão. É conveniente, para confinados como o nazista, acreditar nisso, e não seria diferente, pois sua forma de existir é o confinamento. E é assim que eles se mantêm empregados. O problema maior está aí, divulgar e acreditar que exista apenas uma forma de existir: a dos confinados. Enquanto empregados dificilmente transgridem, dificilmente tocam nos assuntos além-regra e ainda impõem suas formas de existir hipócrita, pois crentes na natureza animal do confinamento tudo o que fazem é por ela, veêm o mundo como animais e só veêm animais. O maior confinamento que destaco é o capitalismo, pelo valor dado ao indivíduo e que permite criar hierarquias através do mérito. No capitalismo quem faz dinheiro é um vitorioso e livre. E são esses os valores divulgados como naturais. Mas é claro que há fendas onde é possível pensar diferente e até se comportar diferente. Acredito que seja o caso de muitos que não compõem por completo a existência de liberdade individual para a produção e consumo. Têm muitos esquizofênicos por aí escrevendo pela palavra, tocando pela música e fotografando pelas imagens. Falei de um plano geral, mundial, onde é possível encontrar formas de existir diferentes, mesmo que todos estejam diretamente ligados ao capital, mas onde pode existir algum defeito, ou alguma emoção que possa ser cultivada. Talvez o ensino público me tenha ajudado, talvez meus desligamentos de estágios onde fui ousado, talvez por me importar com coisas de maluco tais “como sugiu o sistema temperado?”. Assim vou, um pouco livre, distante dados presídios, desempregado. Voltando à detenção do capital vejo indivíduo mais livre, mas ele é aquele que consegue fazer dinheiro, como os empresários, mas não o indivíduo que vende a força de trabalho. Entende esse plando de liberdade? O problema é quando o empregado acha estar na mesma condição do empresário, livre para fazer o mesmo. Tão curta, raza e fútil essa idéia. Mas é isso que o capitalismo também faz, assegurar lucro, transferência de bens aos filhos, esposas, parentes, por um direito universal de liberdade. Fato mesmo é que é dificil identificar pobres que ficaram ricos(todo dia a globo aponta um), creio ter muito mais um fluxo de capital por gerações que por ascensão. Filho de rico riquinho é. Para entendermos o credulidade dos confinados destaca-se o conforto e simplicidade do pensamento de mérito,-"ora se sou pobre e consegui um bom emprego de jornalista não é porque fui livre no sistema capitalista pra gerar uma boa performance e vendê-la, lucar, mas apenas sou remunerado pelo valor, pelo mérito de ter conseguido"-. É um ciclo, mas sem densidade argumentativa, é fútil, sempre submisso, sempre crente de liberdade e paridade. Menos preocupante seria pensar esses confinamentos limitados às empresas, corporações, escolas, onde acredito ter mais fendas para transgressão, mas verdadeiramente preocupante é pensar nas extensões dessa forma de existir mérito/liberdade/lucro que se dá através das grandes mídias, como no caso da rede globo. O confinamento “globo” expõe com naturalidade a nível nacional essas regras. Compõe-se assim uma grande prisão. O jornalismo é o que me atento, pois expressa o que seria “a realidade”, os acontecimentos e implícitamente carregaria as formas das regras. Não vou falar do aspecto seletivo dos conteúdos, nem dos conteúdos, mas da forma de se comunicar, que é para mim o principal problema, pois acredito que assim expressam naturalidade sob ordem às regras, e em consequência aos limites do pensar. Um jornalista da globo, em vista do mérito de estar lá, seguirá as regras pelo próprio mérito de o ser padrão: “imparcialidade globo profissional de importância social elevada”. O problema é que esse quesito social é falso, já que o que se faz, o que se escreve está no campo de natureza do cárcere, que são os valores que justifica a própria função e cargo de jornalista global. Quando há a oportunidade de sorrir ou ficar sério numa qualidade ímpar isso não acontece, pois os limites estão sempre presos aos indivíduos e aos seus méritos pares/capital. É o que são e não podem ser diferentes. Tentei, ao longo deste texto, definir esse típo de cárcere que se estende além das redes da corporação, que divulga e naturaliza uma forma de ser. No entanto preciso agora saber o que posso fazer em relação a isso, como o protagonista do filme Detenção. Então vai @rede_globo: Vocês, jornalistas da rede globo, são uns hipócritas, sabem que estão presos a esse limite de carcere, de poder, de autoridade e que aceitaram e incorporaram para si as regras do capital. Nunca vi e nunca verei uma reportagem explicando o capitalismo, os princípios do individualismo, liberdade de consumo, mérito, lucro, transferência de bens, etc. Nunca vi e nunca verei vocês falando de sociedade socialista, seus princípios de comunhão e muito menos sobre sociedades anarquistas, comunidades anarquistas que já existiram no Brasil e como as que existem ainda em outros países. Nunca vi e nunca verei vocês discutindo as próprias regras de critérios de conteúdos. Nunca vi e nunca verei vocês utilizando “psicologia social”, nunca verei vocês falando sobre modos de subjetivação, de poder, de opressão, de hipocrisia, de transgressão. Vocês, jornalistas e redatores da rede globo de televisão, são os subalternos hipócritas, vendidos, meritocratas, estrelinhas, rasos e fúteis. Não acreditem estar fazendo por utilidade social, vocês são a bosta completa! Está chegando o seu fim e parem de tratar blogueiros como uma mídia menor, nunca chegarão à liberdade de pensamento que eles possuem, nunca conseguirão fazer uma reportagem melhor, mesmo que continuem justificando num profissionalismo de históricos, que aliás nunca rompeu os limites do próprio carcere. Parem de tratar manifestantes na ruas como grupos minoritários. Ei, globo, vai tomar no cu! Vocês não são porta-voz do povo, vocês são uma indústria de profissionais podres, burros, desesperados! Parem de omitir toda a cultura, literatura, cinema e a inteligência humana! Ratos subalternos do capital de existência egóica! Todos vocês!
Numa corporação onde as regras de comportamento estão totalmente relacionadas ao pagamento há uma espécie de confinamento. Por exemplo, num ambiente de trabalho onde não se pode tocar em determinados assuntos ou a forma de como se tratar um assunto são regras bem definidas e conhecida por todos, logo apenas os que seguem às regras continuam no confinamento e sendo remunerados. Assim dificilmente veremos alguém dessa corporação falando coisas fora das regras. Então um nazista diria “somos todos iguais, animais, siga a regra em silêncio, finja que não vê”, na generalização de que há uma natureza onde regra habita cada indíviduo e mantendo-se nas relações em grupo e expandindo-se às mais diversas formas de convivência. Assim, pensa o nazista que mesmo fora da corporação essa regra se mantêm, pois é da natureza animal de impossível rompimento e trasngressão. É conveniente, para confinados como o nazista, acreditar nisso, e não seria diferente, pois sua forma de existir é o confinamento. E é assim que eles se mantêm empregados. O problema maior está aí, divulgar e acreditar que exista apenas uma forma de existir: a dos confinados. Enquanto empregados dificilmente transgridem, dificilmente tocam nos assuntos além-regra e ainda impõem suas formas de existir hipócrita, pois crentes na natureza animal do confinamento tudo o que fazem é por ela, veêm o mundo como animais e só veêm animais. O maior confinamento que destaco é o capitalismo, pelo valor dado ao indivíduo e que permite criar hierarquias através do mérito. No capitalismo quem faz dinheiro é um vitorioso e livre. E são esses os valores divulgados como naturais. Mas é claro que há fendas onde é possível pensar diferente e até se comportar diferente. Acredito que seja o caso de muitos que não compõem por completo a existência de liberdade individual para a produção e consumo. Têm muitos esquizofênicos por aí escrevendo pela palavra, tocando pela música e fotografando pelas imagens. Falei de um plano geral, mundial, onde é possível encontrar formas de existir diferentes, mesmo que todos estejam diretamente ligados ao capital, mas onde pode existir algum defeito, ou alguma emoção que possa ser cultivada. Talvez o ensino público me tenha ajudado, talvez meus desligamentos de estágios onde fui ousado, talvez por me importar com coisas de maluco tais “como sugiu o sistema temperado?”. Assim vou, um pouco livre, distante dados presídios, desempregado. Voltando à detenção do capital vejo indivíduo mais livre, mas ele é aquele que consegue fazer dinheiro, como os empresários, mas não o indivíduo que vende a força de trabalho. Entende esse plando de liberdade? O problema é quando o empregado acha estar na mesma condição do empresário, livre para fazer o mesmo. Tão curta, raza e fútil essa idéia. Mas é isso que o capitalismo também faz, assegurar lucro, transferência de bens aos filhos, esposas, parentes, por um direito universal de liberdade. Fato mesmo é que é dificil identificar pobres que ficaram ricos(todo dia a globo aponta um), creio ter muito mais um fluxo de capital por gerações que por ascensão. Filho de rico riquinho é. Para entendermos o credulidade dos confinados destaca-se o conforto e simplicidade do pensamento de mérito,-"ora se sou pobre e consegui um bom emprego de jornalista não é porque fui livre no sistema capitalista pra gerar uma boa performance e vendê-la, lucar, mas apenas sou remunerado pelo valor, pelo mérito de ter conseguido"-. É um ciclo, mas sem densidade argumentativa, é fútil, sempre submisso, sempre crente de liberdade e paridade. Menos preocupante seria pensar esses confinamentos limitados às empresas, corporações, escolas, onde acredito ter mais fendas para transgressão, mas verdadeiramente preocupante é pensar nas extensões dessa forma de existir mérito/liberdade/lucro que se dá através das grandes mídias, como no caso da rede globo. O confinamento “globo” expõe com naturalidade a nível nacional essas regras. Compõe-se assim uma grande prisão. O jornalismo é o que me atento, pois expressa o que seria “a realidade”, os acontecimentos e implícitamente carregaria as formas das regras. Não vou falar do aspecto seletivo dos conteúdos, nem dos conteúdos, mas da forma de se comunicar, que é para mim o principal problema, pois acredito que assim expressam naturalidade sob ordem às regras, e em consequência aos limites do pensar. Um jornalista da globo, em vista do mérito de estar lá, seguirá as regras pelo próprio mérito de o ser padrão: “imparcialidade globo profissional de importância social elevada”. O problema é que esse quesito social é falso, já que o que se faz, o que se escreve está no campo de natureza do cárcere, que são os valores que justifica a própria função e cargo de jornalista global. Quando há a oportunidade de sorrir ou ficar sério numa qualidade ímpar isso não acontece, pois os limites estão sempre presos aos indivíduos e aos seus méritos pares/capital. É o que são e não podem ser diferentes. Tentei, ao longo deste texto, definir esse típo de cárcere que se estende além das redes da corporação, que divulga e naturaliza uma forma de ser. No entanto preciso agora saber o que posso fazer em relação a isso, como o protagonista do filme Detenção. Então vai @rede_globo: Vocês, jornalistas da rede globo, são uns hipócritas, sabem que estão presos a esse limite de carcere, de poder, de autoridade e que aceitaram e incorporaram para si as regras do capital. Nunca vi e nunca verei uma reportagem explicando o capitalismo, os princípios do individualismo, liberdade de consumo, mérito, lucro, transferência de bens, etc. Nunca vi e nunca verei vocês falando de sociedade socialista, seus princípios de comunhão e muito menos sobre sociedades anarquistas, comunidades anarquistas que já existiram no Brasil e como as que existem ainda em outros países. Nunca vi e nunca verei vocês discutindo as próprias regras de critérios de conteúdos. Nunca vi e nunca verei vocês utilizando “psicologia social”, nunca verei vocês falando sobre modos de subjetivação, de poder, de opressão, de hipocrisia, de transgressão. Vocês, jornalistas e redatores da rede globo de televisão, são os subalternos hipócritas, vendidos, meritocratas, estrelinhas, rasos e fúteis. Não acreditem estar fazendo por utilidade social, vocês são a bosta completa! Está chegando o seu fim e parem de tratar blogueiros como uma mídia menor, nunca chegarão à liberdade de pensamento que eles possuem, nunca conseguirão fazer uma reportagem melhor, mesmo que continuem justificando num profissionalismo de históricos, que aliás nunca rompeu os limites do próprio carcere. Parem de tratar manifestantes na ruas como grupos minoritários. Ei, globo, vai tomar no cu! Vocês não são porta-voz do povo, vocês são uma indústria de profissionais podres, burros, desesperados! Parem de omitir toda a cultura, literatura, cinema e a inteligência humana! Ratos subalternos do capital de existência egóica! Todos vocês!
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